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Por que ser voluntário em projetos sociais?

1 de junho de 2016 - Por:

O trabalho voluntário em projetos sociais vem chamando a atenção de muita gente ao redor do mundo. Alguns dizem que é uma nova onda, outros que, em um mundo sem a polarização ideológica existente até tempos atrás, o movimento representa uma oportunidade para as pessoas se engajarem em um novo projeto social.

Do Greenpeace até as ONG’s preocupadas a retirarem os gatos que sobem nas árvores, existe uma variedade de oportunidades para se fazer trabalho voluntário.

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Voluntárias do Instituto Humanista de Desenvolvimento Social em caminhada pelo Outubro Rosa. Fonte: divulgação

O que é o trabalho voluntário?

Trabalho voluntário é todo o trabalho que uma pessoa se prontifica a fazer gratuitamente em prol de uma causa. Pode ser de algumas horas por semana a até uma dedicação integral durante um período. Pode ser na esquina de sua casa ou pode ser no Nepal. Causas e oportunidades não são o que falta. Pode ser de caráter geral, ajudando a preparar uma refeição num asilo ou programa de atendimento aos moradores de rua a até uma intervenção especializada nos diversos campos profissionais. Vai desde passar umas horas por semana lendo para idosos ou brincando com crianças. Pode ser um trabalho realizado sozinho ou em uma equipe.

No Brasil o trabalho voluntário é regulado por legislação específica e não gera vínculo empregatício de nenhuma natureza. O trabalho voluntário é realizado por organizações não governamentais (ONGs), clubes de serviço, igrejas, órgãos governamentais, institutos, fundações etc. e etc. Alguns trabalhos são altamente focados e podem ser temporários, quando visam solucionar um problema específico. Outros podem ser de média ou longa duração. Uns podem ter forte matiz ideológica, como no caso das igrejas ou partidos, outros podem não ter ideologia nenhuma a não ser realizar o bem através do projeto que a proponente está engajada.

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Integrantes do Mãos Que ajudam. Fonte: divulgação

Alguns trabalhos estão colocados dentro de um quadro de referência local, estadual, nacional ou mundial, outros podem não ter conexão alguma a não ser fazer o bem em determinada situação. Mas a base de todo o trabalho voluntário é o desejo e a vontade de participar de algum projeto que, no final das contas, ajude o ser humano.

O mundo atual, com uma sociedade construída com fortes bases individualistas e egoístas, com forte apelo ao consumo e ao ter, uma atividade que não vise nenhum desses princípios pode parecer deslocada. Mas é aí que está a grandeza do trabalho. Romper com os conceitos e partir para a construção de um mundo diferente, mais humano e solidário.

Por que ser voluntário?

Que razão maior alguém precisa para fazer o bem do que o próprio bem? Mas não é difícil encontrar pessoas que dizem: Eu, trabalhar de graça? Nem morta! Ninguém me dá nada de graça.
Esse casulo egoísta é o viveiro para atitudes como ver uma criança comendo lixo e virar o rosto, ver alguém caído na rua e desviar, receber o apelo para alguma causa e fazer de conta que não escutou. Por que sair de frente da televisão, do computador ou do famoso joguinho de carta de toda a quarta-feira? Por que deixar de relaxar no final de semana para dar umas horas para um trabalho social?

“Se tem gente passando fome é porque são uns vagabundos e não querem trabalhar.” “Se tem alguém doente e sofrendo, é porque o governo não faz sua parte.” “Crianças abandonadas ou adolescentes grávidas, isso é problema dessa cambada de vadias que desde cedo já são umas irresponsáveis e só querem se divertir e zoar.” “Drogados e sem tetos? Estão tendo o que merecem!”

Esses raciocínios têm a profundidade de um pingo d’água e escondem a profunda vala entre os que acham que só tem direitos e os que são vítimas de situações pelas quais não foram inteiramente responsáveis e que falta uma oportunidade para saírem do poço em que estão.

Mas é verdade que não são todos, realmente, que estão aptos a fazer trabalho voluntário. É preciso coragem e tem muita gente covarde. É preciso determinação e tem muita gente que veio a este mundo a passeio e só quer que os outros os sirvam.

Construir uma família, um bairro, uma cidade, um estado, uma nação e um planeta melhor exige desprendimento, solidariedade e foco no coletivo, não no personalismo egocêntrico e doentio que é a marca registrada de nossa época. O envolvimento em projetos sociais coloca as pessoas em contato com realidades que muitos não querem ver.  É mais cômodo fechar os olhos, os sentimentos e os recursos. Mas deve-se fazer trabalho voluntário exatamente para quebrar esse círculo nefasto.

Trabalho voluntário é doação de si mesmo. É a descoberta de outros mundos. É encarnar a máxima do pensador francês quando disse:

“Vivi como mendigo para ensinar os mendigos a viverem como homens” (Jean Jacques Rousseau).

Ou outro, que fez uma reflexão:

“Eu me queixava de não ter sapatos e saí à rua e encontrei alguém que não tinha pés”.

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Enfrentar o trabalho social voluntário é interagir com as misérias do mundo, materiais, sociais, humanas, psicológicas.

Uma vez, há muito tempo, um artesão em uma terra distante, reuniu uns amigos e lhes contou uma história: um pobre mendigo ia caminhando por uma rua escura e passou por ele um grupo de jovens, vindo de uma balada animada. Um deles disse: vamos botar fogo nesse mendigo e nos divertir um pouco. E assim fizeram. Encharcaram as roupas do mendigo e atearam fogo. Deixaram o pobre coitado se debatendo e gritando e foram embora, rindo e se divertindo. Passou uma viatura policial e vendo a cena, os policiais disseram: “vamos embora que isso aí é encrenca”. Passou uma ambulância do Samu e, vendo a cena, os socorristas disseram: “Esse aí não tem mais jeito, vamos socorrer alguém que possa ser mais útil para a sociedade”. Finalmente, passou um catador de papel, carrinheiro que havia passado boa parte da noite recolhendo as sobras da sociedade para alimentar sua família. Vendo a cena, parou seu carrinho, foi lá, ajudou a apagar as partes da roupa que ainda queimavam, colocou o pobre mendigo em suas costas e levou-o até um uma unidade de saúde. Onde, finalmente, foi atendido. Ao final, o artesão disse a seus amigos: “esse mundo está cheio de idiotas que se divertem com a desgraça alheia, dos que tem como obrigação fazer o bem e não fazem, roubam e não merecem o salário que recebem, mas, felizmente, existem carrinheiros que não são alheios ao sofrimento dos outros.”

O que você está sendo em sua vida? Diariamente a televisão, os jornais, as ruas e a internet, estão mostrando necessidades que precisam ser supridas, mas que as pessoas viram a cara e fazem de conta que não é com elas. Trabalho voluntário é a porta que oportuniza entrar em outras realidades e nenhum voluntário deixa de dizer, depois de algum tempo: EU NÃO SABIA O QUE ESTAVA PERDENDO. É essa rota de descobrimento, de serviço e de construção que se abre diante dos voluntários que não se acomodam ou se acovardam diante de duras realidades.

Fazer trabalho voluntário torna realidade a máxima de S. Francisco:

“Mais bem-aventurado é dar do que receber”.

E, quem sabe, ao fazer um trabalho voluntário em um projeto social você não vai estar salvando uma vida, e até a sua própria?

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