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Agosto Azul inicia pelo Caminho do Itupava

12 de agosto de 2014 - Por:

No dia 02 de agosto, sábado ensolarado, o Instituto Humanista de Desenvolvimento Social – HUMSOL,  Oscip paranaense  sem fins lucrativos e que tem como meta a proteção e prevenção contra o câncer,  iniciou o desafio de além de divulgar o mês de Proteção da Saúde do homem –  AGOSTO AZUL criado pela Lei Estadual nº Lei n°17.099, de 28 de março de 2012,  lançou um desafio a todos os amigos e voluntários. O desafio de sair de trás de seus postos de trabalho, nas inúmeras empresas que trabalham e se lançarem de corpo e alma na superação de uma caminhada que refletisse o cuidado da saúde do homem .

10534738_827290593961267_3122232628132831929_nCom a meta lançada foi escolhido o desafio de percorrer a pé o CAMINHO DO ITUPAVA

Este caminho sem dúvida, é uma das aventuras mais emocionantes e desafiadoras que fizemos até hoje, afinal percorrer um trecho de mais de 20 km a pé pela Mata Atlântica é ter uma mistura de sentimentos , é conhecer seus próprios limites e superá-los, ter uma boa causa , ter fé e competência para realizá-lo.

Antes de falar sobre a jornada, vamos falar um pouco sobre esta maravilhosa trilha.

CAMINHO DO ITUPAVA

Aberto entre 1625 e 1654 pelos índios e mercadores, o “Caminho do Itupava”, é uma trilha que foi calçada com pedras pelos escravos afim de ligar o litoral ao planalto paranaense. Por aproximadamente 3 séculos, este caminho foi o único meio de ligação entre estes dois locais, permitindo a disseminação da cultura, socialização e desenvolvimento econômico do planalto, até a construção da ferrovia, em seguida a estrada da Graciosa. As mercadorias eram trazidas no lombo de burros e mulas até o destino final.

COMO COMEÇOU A JORNADA

Nossa jornada começou um mês antes quando alguns incentivadores como o assessor de Marketing na área da saúde Nelson Luiz Asinelli Hasselmann e o Administrador da área da saúde Rodrigo Pinheiro Machado , decidiram convidar um grupo de pessoas amigas para se prepararem para um evento único. Percorrer os 20 km de trilhas pesadas da Serra do Mar com o propósito de divulgar o mês Agosto Azul , projeto do Instituto Humanista de Desenvolvimento Social – HUMSOL. Assim  semanalmente o grupo se reunia no Parque Barigui para andar, fazer seu intercâmbio de informações e trocar experiências. Esta ação foi prazerosa e trouxe além dos caminhantes  ,  familiares e muitos outros amigos. A caminhada estava aberta a todos e foi baseada em voluntários do Centro Diagnóstico Água Verde, Hospital Ipo, Laboratório São Lucas, Instituto HUMSOL , Diagnóstico por imagem São Lucas de Campo Largo,  profissionais liberais e estudantes.

NO DIA DA CAMINHADA

No dia 02 de agosto às 5:30 horas o grupo reuniu-se. Logo às 06:00 da manhã, saiu em vans até o município de Quatro Barras / Distrito da Borda do Campo. Chegando à base do Caminho do Itupava, no Trailer do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), onde tudo começou.

 Chegando na Base do IAP,   fizemos nosso cadastro com a lista completa dos caminhantes. Como de costume, eles pediram o nome, telefone, telefone para contato de cada aventureiro em caso de emergência, e o nome de uma pessoa que ficasse responsável pelo grupo. Todos foram bem orientados quanto as agruras e belezas do caminho e dos apetrechos que deveriam ser levados.

A trilha tem uma extensão de 16 km, no inicio são 900m de altitude, chegando no final dela tem mais 4 km até a próxima base do IAP , que encontra-se no município de Morretes e depois mais uns 2km até a estrada que tem saída para o centro de Morretes.  A descida é brusca e a gente sente isso na pele, ou melhor, nos pés, nas pernas e nos braços. Mas não tem apenas descida, tem subidas, descidas e novamente  subidas ,  no inicio subimos alguns morros, até chegar na altitude máxima do primeiro planalto.

O caminho é lindo, cheio de pedras, o cheiro e o som da mata é fantástico.  A mata é bem fechada, o caminho é muito bem cuidado pelo IAP. Fizemos o caminho todo por baixo da das árvores, na sombra, porém mesmo assim, vale a pena lembrar que é bom ir em dia de Sol e até mesmo em semanas que não ocorreram chuvas, pois por natureza o caminho já é bastante úmido e com isso as pedras são bem escorregadias. Foi um festival de escorregões, cada um de nós caiu pelo menos uma vez, porém todo o grupo foi sensato e se protegeu ao máximo evitando quedas desastrosas, com o caminho concluso temos a recordar as dores na batata da perna , as pressões nos joelhos mas sem dúvida o prazer de ter vivenciado momentos de pura introspecção com a natureza que certamente guardaremos para o resto da vida.

No decorrer da caminhada, podíamos escutar a todo momento o som da locomotiva e seus freios passando pela estrada de ferro, o som misturava-se ao canto dos pássaros de todos os tipos, ao eco da floresta, ao som das folhas balançando no vento. O mais interessante foi que não conseguimos ver o trem em nenhum momento, apenas ouvíamos, algumas vezes a nossa direita, outras à esquerda, em alguns momentos este som também misturava-se ao som das cachoeiras. Que são maravilhosas. As inúmeras nuances de verde da floresta nos trazem a paz e o belo da natureza em cada folha, sombra, galho e animal selvagem.

Nossa primeira parada foi nas ruínas da Casa do Ipiranga, diz a história que esta casa foi construída afim de hospedar os engenheiros Lange , dois irmãos que construíram a estrada de ferro Curitiba – Paranaguá, responsáveis também pela obra da pequena hidroelétrica do local. A casa foi preservada em anos anteriores, porém hoje esta em pedaços, destruída por vândalos, está toda pichada em situação precária. Neste local a história transborda de informações e passagens pitorescas, infelizmente transformadas em ponto de uso de droga e pichação.

Paramos por alguns minutos, para tomar água e descansar um pouco. Logo, andamos mais alguns metros pelo trilho do trem para ver a ponte histórica sobre o Rio Ipiranga, feita com trilhos. Uma provação ao ser transposta,  mesmo estando muito bem cuidada, um descuido poderia ser acidental. Neste momento eram 11 horas da manhã e a Litorina vinha pedindo passagem. Dentro dela cerca de 60 pessoas imbuídas do mesmo propósito da Proteção e Saúde do homem. O Instituto HUMSOL e a Serra Verde Express coordenaram um passeio “com propósito “  pela serra , liderados por guias turísticos também voluntários do Instituto HUMSOL , os quais planejavam uma parada no local conhecido por Nossa Senhora do Cadeado, quando deveriam encontrar nosso grupo para confraternização e troca de informações, criação de novas amizades em prol da saúde do homem.

Mesmo atrasados cronologicamente, seguimos o nosso caminho, rumo a segunda parte da caminhada até alcançar o santuário de Nossa Senhora do Cadeado.

Com a dificuldade de alcançá-lo, muitos aventureiros do nosso grupo colocaram dúvidas sobre a existência do tal CADEADO, transformando-o em uma meta obstinada. Antes de chegarmos lá, as decidas foram íngremes e escorregadias, descidas e subidas sem fim. Passamos horas apenas descendo um caminho lindo  de pedras que pareciam enceradas de tão lisas, até que próximo ao santuário, havia um “escada” pouco preservada mas que foi providencial para descer o morro até o trilho do trem, acredito que sem aquele apoio, não teríamos como descer. No ponto máximo daquela escada, alguns metros antes de chegar ao Santuário, o caminhante pode observar todo o litoral, a estrada de ferro e as montanhas em volta.

Por volta de 15 horas, chegamos ao Santuário da Nossa Senhora do Cadeado, onde fizemos nossa parada para almoço. Estávamos exaustos, mas felizes pois já havíamos feito pouco mais da metade do trajeto planejado. A vista de lá era linda, podíamos observar todo o conjunto Marumbi e o seu ponto mais alto, o Olimpo.

Ficamos neste ponto por volta de 1 hora, muitas pessoas param neste trecho para descansar, repor as energias e se alimentar, pois ainda tem uma longa jornada até o final.

Nosso grupo foi composto por duas equipes: a do Gambá e a do Quati , ambas cumpriram seus objetivos e souberam valorizar estes espécies “sui generis” da floresta Atlântica., Descansados e alimentados partimos, com o propósito de terminar a trilha antes do anoitecer. Neste trajeto ficou clara a persistência e objetividade do grupo, pois   haviam no mínimo mais uns 10km de caminhada pela frente. Daí em diante o caminho parecia se tornar mais difícil devido ao cansaço e pelas árvores caídas na trilha. Além disso, as pessoas são diferentes, seu preparo para esta jornada foi diferenciado e a capacidade física e rapidez de cada um foi uma surpresa.

Após 16 km, chegamos ao fim do Caminho do Itupava, mas não ao fim da jornada, pois precisávamos caminhar até o base do IAP,  mais 4 km de caminhada,  para comunicar nosso fim de descida e apontar qualquer ocorrência oficialmente. O pessoal que tem casas naquela região e que são montanhistas, demonstraram-se muito amigos e atenciosos nas informações. Mas nem tudo é facilidade, pois no caminho nos deparamos com figuras diferenciadas, ora montanhistas matreiros , biólogos,  caminheiros como nós,  fotógrafos e alguns maloqueiros. Muita atenção na trilha se você anda sem parceiros ou desacompanhado de um grupo de apoio.

Ao chegarmos ao IAP foi uma festa afinal , água potável fresquinha,  banheiro,  nem sempre limpo, mas banheiro e o principal … ninguém se machucou nem sofreu acidentes de grande monta.

SURPRESA NA VOLTA

Chegamos até o local conhecido por Santuário, cerca de 1 km do posto do IAP, trajeto abaixo onde estavam as vans  esperando para nos trazer à Curitiba como combinado. Por volta das 20 hs, chegaram os últimos caminhantes, vitoriosos e fortalecidos pelo desafio vencido. Embarcados e cansados sentamos em nossas poltronas e apagamos.  Dentro da van  nos sentimos protegidos e céleres em voltar às nossas casas para um bom banho e uma refeição quente. Mas o imprevisto estava solto e uma da vans quebrou em plena subida da Serra da Graciosa, tinha quebrado a turbina deixando o carro sem uma gota de óleo, envolvendo nosso transporte em uma nuvem de fumaça branca e poluente.   Este momento foi tenso pois os ocupantes da van tiveram que esperar por mais de uma hora o socorro vindo de Curitiba  e não tinham comunicação alguma via telefone celular.

Dificuldades à parte a jornada termina com um convite para todos os futuros aventureiros que gostam de caminhar e curtir a natureza, o Caminho do Itupava é uma super sugestão, barata e sensacional. Além de fazer você pensar na sua saúde e na de quem você mais gosta.

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